

Esta noite ver-se-ia a encenação de certa rebuscada ópera italiana: o apogeu de um grande imperador romano. O concerto inicia com o incrível silêncio da plateia já amortecida pela afinação da orquestra, presa no fosso. O rei canta a sua ária magnífica embebido nas mãos do vitorioso Baco. As notas escorrem pela boca do contra tenor de forma inumana, o coro das mulheres saúda o seu rei, o dos homens lhe jura adoração eterna. O público poderia permanecer entorpecido nas vozes perfeitas, no cuidado com a cenografia, nos broqueis, e principalmente no acabamento.
Mas todo o aparato não suportaria a virtuose de talentosos artistas quando olhados de tão perto, como por um furo na parede, por onde as divas de um teatro de rebolado se preparam para invadir a grandiosa arena, e realizar a definitiva encenação ritual da queda de Roma.
Transitando entre a literatura, o teatro, a performance e as artes visuais, o Grupo de Investigação Cênica Heliogábalus tem como principais objetivos, a experimentação e o risco. Entre suas principais referencias estão os pensamentos de Antonin Artaud, Hakim Bey, Heiner Müller e o teatro de variedades proposto por Marinetti. Caracteriza-se pelo formato fragmentário da cena, a discussão de gênero, o manifesto e a interatividade (sem a subestimação) com o público e as tecnologias.
Fundado em 2006 o grupo busca a construção conjunta do trabalho de ator e encenação.
O Último Canto do BodeImperialismo, ímpeto dionisíaco, barbarismo, estruturas de poder, beleza, tecnologia, alienação e revoluções permeiam a narrativa que se desconstrói e reconstrói a todo tempo. Tendo como fundo a queda de roma e o desgaste da cultura racionalista ocidental, as entidades se deslocam em mundo devastado de ideologias.
Teatro Universitário de Curitiba (TUC) - III Mostra Imarginal [2009]
SESC da Esquina - Mostra SESC de Artes Universitárias [2009]
Casa vermelha – Fringe (Festival de Curitiba) [2010]
Espetáculo/manifesto quase mudo.
Sua temática é centrada nas metamorfoses, modificações e impossibilidade de classificação (de gênero, espécie, matéria) que assolam os questionamentos desde os períodos históricos anarco-primitivos.
Sala Londrina – II Mostra Imarginal [2008]
TEUNI - Mostra Novos Repertórios (Festival de Curitiba) [2009]
CARNIVAL
Tendo como principal referência a carnavalização, o grotesco e as festas rituais da antigüidade o Grupo de Investigação Cênica Heliogábalus realizou a sua primeira festa performática. Um espaço experimental de visualidade, música e discurso.
VU BAR [2009]
SCARROLL
(da trilogia da duquesa à queda da rainha)
Adaptação e reconstrução da obra de Lewis Carroll segundo a ótica do teatro de variedades. Utilizando a construção das frases e jogos com a lógica típicos de Lewis Carroll, o grupo propõe um rito com muita força, delicadeza e violência. Os textos de Lewis Carroll se transformaram em mantras/encantamentos que conduzem a platéia em um lugar de permeabilidade entre vida/sonho - arte/vida.
Teatro Universitário de Curitiba (TUC) – II Mostra Imarginal [2006]
Teatro Universitário de Curitiba (TUC) [2007]
Casa Hoffmann – VII Mostra de Teatro da Faculdade de Artes do Paraná [2007]
Casa vermelha – Fringe (Festival de Curitiba) [2008]


Sestio Vario Avito Bassian (em latim Sextu Varius Avitus Bassianus), mais conhecido como Heliogábalo (203 - 11 de Março de 222), foi proclamado imperador Romano no ano de 218 com apenas quatorze anos de idade.
Heliogábalo nasceu na Síria e seu nome era de difícil pronúncia para os romanos, por isso ao ser declarado imperador usou o nome Marco Aurélio Antonino (em latim Marcus Aurelius Antoninus), que é uma tradução prática de seu nome original. O seu comportamento excêntrico fez com que o povo passasse a acreditar que Heliogábalo era homossexual e travesti, além disso ele tentou impor o culto sírio ao deus Deus Sol Invicto no Império Romano. Devido a isso Heliogábalo foi perdendo a confiança do povo, do exército e do Senado Romano até que ele e sua família foram mortos pelos próprios soldados romanos. Casou-se cinco vezes, sendo que três de suas esposas são historicamente reconhecidas. Apesar de seus breves casamentos com mulheres, e além de seus apetites sexuais ilimitados por homens "bem dotados", Heliogábalo mantem longa relação amorosa com um escravo louro, a quem chamou de marido em várias ocasiões, conforme registrado nos anais da história. Os tabus supostamente quebrados pelo imperador, segundo os registros históricos, parecem intermináveis. Heliogábalo teria oferecido pagamento a médicos que transformassem o seu pênis em vagina, levando muitos historiadores à conclusão de Heliogabalo ter sido uma transexual.